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E a sexualidade no pós-parto?

Falar de sexualidade no período do pós-parto é muito importante, pois a maioria das mulheres recebe a informação sobre o período de resguardo (em que, dentre outras coisas, não se pode ter atividade sexual), mas não recebem a informação de que a sexualidade da mulher irá ser afetada nos meses e até anos que seguem após o nascimento do bebê – tudo irá depender de cada mulher.

Não é porque terminou o período de resguardo que a mulher necessariamente sentirá o mesmo interesse sexual que antes da gravidez, e há muitos motivos que colaboram para isso.

Ter a informação precisa é importante para você compreender melhor seu corpo e para o casal acolher esse momento de transformação com todo amor e carinho.

Nesse artigo, vamos falar um pouco sobre a saúde sexual no pós-parto, afeto e comunicação no casal, pois sexualidade é sempre muito maior do que o sexo.

O que é o tempo de resguardo após o parto?

Logo após o nascimento, há um período (conhecido popularmente como período de resguardo) em que não é permitida a relação sexual, dentre outros cuidados. Isso porque, após o parto (seja cesárea ou normal), há diminuição da resistência imunológica da mulher e, por isso, maior risco de infecção no útero. E, também, porque nesse início a região pélvica está sensível e dolorosa.

Além disso, no caso da cesárea, há também o risco de infecção no próprio corte da cirurgia. O período de resguardo é:

  • 30 dias se foi parto normal
  • 45 dias se foi parto cesárea

E após o terminar o período de resguardo, o interesse sexual da mulher retorna ao que era antes?

Não, para a maioria das mulheres. Mesmo após esse período, há muitas coisas em jogo pois o desejo sexual é complexo e vai muito além da liberação médica. Depende de cada mulher!

Já a sexualidade, essa sim, por ser muito mais ampla do que o ato sexual, está presente no dia a dia dos casais. Sexualidade é construída e cuidada com intimidade, confiança, comunicação, toque, cheiros, carinhos, aconchegos, de um jeito único para cada casal.

Ou seja, mesmo podendo transar do ponto de vista médico, muitas vezes a mulher não vai sentir o interesse sexual. E por que? Por que sua libido está bastante afetada nesse período:

  1. Há uma questão hormonal. Há uma diminuição do estrogênio e um aumento do hormônio prolactina. Essa alteração contribui para que o interesse sexual diminua, fazendo com que muitas vezes a mulher esteja menos lubrificada durante o sexo e possa inclusive sentir dor. Outra informação importante para que o casal saiba é que, durante a relação sexual, com a liberação de ocitocina, as glândulas mamilares serão estimuladas e por isso pode acontecer a ejeção espontânea de leite.
  2. A forma como a mulher se relaciona com sua imagem corporal no pós-parto. Há uma transformação muito grande após o nascimento: o corpo da mulher não é mais o de gestante nem o corpo de antes da gravidez, e muitas vezes isso afeta seu desejo sexual. Por um lado, racionalmente, o corpo da mulher no pós-parto deveria ser motivo de orgulho porque é um corpo que cuidou de um bebê por 9 meses e gerou uma nova vida; é um corpo que se transformou para poder trazer um novo bebê ao mundo, e isso é digno de muito orgulho. No entanto, sabemos que cada mulher lida de uma maneira única com a própria imagem corporal e que nesse processo muitas delas sofrem muito.
  3. Entre o casal, agora há uma terceira pessoinha. É muito importante dizer que nesse momento a mulher direciona grande parte da libido para o bebê, cuidando e amamentando o pequeno. Muitas vezes diminui o desejo da mulher pelo encontro sexual e aumenta o desejo pelo encontro afetivo, de cuidar do bebê e ser cuidada pelas pessoas que ama.
  4. Tanto no Baby Blues como na Depressão Pós-Parto há queda acentuada no interesse sexual e é importante saber disso para poder escutar melhor o próprio corpo. Alguns estudos indicam que 40% das mulheres com depressão tem diminuição do interesse sexual e dificuldades para obter o orgasmo.
  5. Também a exaustão e o cansaço, pois com a rotina nova com o bebê em casa, as noites sem dormir e todas as inseguranças que muitas vezes acompanham os primeiros meses, deixam a mulher (e também o homem) mais vulneráveis, e com isso é muito difícil o interesse sexual não ser afetado. É um momento em que mães e pais nunca se sentiram tão cansados, em toda sua vida. Provavelmente, será um momento de diminuição da libido.

E quando a libido volta ao normal na mulher?

Não há um prazo estrito para isso, pois cada mulher e cada casal é único. Calma, o mais importante é se escutarem, respeitarem o tempo necessário que sua família está passando, lembrando que para algumas mulheres pode levar um ano após a amamentação terminar para que o interesse sexual comece a retornar. Mas não durará para sempre.

E lembre-se: o desejo no casal não acabou, mas é um momento em que a libido se desloca para o bebê e para a amamentação.

A libido se desloca do desejo pelo encontro sexual para o desejo pelo encontro afetivo, nas suas diferentes possibilidades.

O casal com certeza tinha e ainda tem outras maneiras para se encontrar afetivamente, além do encontro sexual: toques, carinhos, beijinhos, massagens… Há muitas formas de trocar afetivamente que ajudam a cuidar dos parceiros, aumentam a intimidade no casal e fazem com que cada um se sinta escutado, amado, reconhecido e acolhido.

Uma outra dica é: será que as tarefas e cuidados com a casa e o bebê estão sendo compartilhadas no casal de forma que os dois possam descansar um pouco, e os dois se sintam apoiados e reconhecidos pelo parceiro?

Também como dica, a importância de cuidar de seu corpo, descansar, se alimentar bem, fazer alongamentos, exercícios (fale com seu obstetra para ter a orientação de como e quando praticá-los), enfim, tratar-se com carinho e ir escutando, a cada momento, o que seu corpo lhe conta sobre seu desejo.

Nosso corpo é nossa morada e precisamos, em primeiro lugar, estar confortáveis dentro dele para poder ter intimidade com o parceiro.

Lembre-se da importância do diálogo nesse momento, levando em conta que é uma fase sensível do ponto de vista do corpo, dos afetos e das relações.

Se você sentir necessidade de apoio diante de situações muito desafiadoras, peça ajuda, compartilhe com outras pessoas e considere procurar por Terapia Individual ou Terapia de Casal.

Você não precisa passar por isso sozinha (o)!

Conte comigo,

Terapeuta Ana Payés