Quando pensamos em solidão materna, é comum imaginarmos uma mãe que passa o dia sozinha com um bebê. Mas, na clínica, essa solidão costuma aparecer de outra forma.
Há mulheres que vivem cercadas de pessoas — parceiros, filhos, familiares, colegas — e ainda assim carregam uma sensação profunda de estarem sozinhas.
Porque a solidão não nasce apenas da ausência de companhia. Ela aparece quando aquilo que estamos vivendo não encontra um lugar onde possa ser acolhido.
A maternidade inaugura uma experiência intensa de transformações. O corpo muda, a rotina muda, o tempo muda, a relação consigo mesma muda. Muitas mulheres descobrem sentimentos contraditórios que não imaginavam experimentar: amor e exaustão, gratidão e raiva, desejo de estar perto e necessidade de fugir por alguns minutos.
No entanto, nossa cultura ainda espera que a maternidade seja vivida com naturalidade, felicidade e entrega. Quando a experiência real não corresponde a esse ideal, muitas mães passam a acreditar que há algo de errado com elas.
Em vez de poderem dizer “está difícil”, silenciam.
Em vez de perguntarem “alguém também sente isso?”, convencem-se de que são as únicas e se culpam por isso.
A solidão cresce justamente nesse espaço entre a experiência vivida e aquilo que parece permitido dizer.
Mas existe também outra forma de solidão, mais silenciosa ainda.
É quando a mulher continua ocupando o lugar de quem cuida de todos, mas deixa de encontrar quem possa cuidar dela. Todos precisam dela, mas poucos perguntam como ela está. Todos reconhecem o trabalho que ela faz, mas quase ninguém percebe o quanto ela também precisa descansar, ser acolhida e encontrar um espaço onde não precise sustentar ninguém.
Ser mãe não elimina a necessidade de continuar sendo filha, parceira, amiga, mulher e, sobretudo, alguém que também necessita de cuidado.
Por isso, muitas vezes, o que diminui a solidão não é receber conselhos ou ouvir que “vai passar”. É encontrar alguém capaz de permanecer ao lado dessa experiência sem julgá-la, sem exigir que ela seja diferente e sem apressar suas respostas.
Quando uma mãe encontra um espaço onde pode existir inteira — com amor, ambivalência, culpa, alegria, medo e cansaço — ela deixa de carregar tudo sozinha.
A solidão começa a se transformar quando a experiência finalmente encontra um outro que possa sustentá-la.
Se você se identificou com algumas das situações descritas acima, talvez este seja um bom momento para considerar um acompanhamento terapêutico.
Fazer terapia é poder contar com um espaço seguro e acolhedor para cuidar de si. É um espaço de confiança em que vamos construir um percurso de cuidado que faça sentido para suas questões e necessidades nesse momento de vida.
Conte comigo,
Psicanalista Ana Payés


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