Atendimento terapêutico conjunto a pais e bebês

O que costuma trazer pais e seus bebês ao consultório procurando por terapia?

  • Dificuldades relacionadas ao sono da criança (bebê não dome a noite, resiste ao sono e o sono de toda a família fica sem ritmo);
  • Dificuldades relacionadas à amamentação e/ou introdução de alimentos (bebê recusa novos alimentos, por exemplo)
  • Bebê mostra comportamento irritadiço ou agressivo, às vezes chamados popularmente de “birras” e de difícil decodificação pelos pais;
  • Dificuldades relacionadas ao desfralde;
  • Desgaste da relação conjugal no novo momento com o bebê;
  • Dentre outras dificuldades comuns no cotidiano de famílias com bebês.

Essas são situações que fazem com que muitos pais busquem por respostas que aliviem a angústia que acompanha cada um desses eventos. Mas, muitas vezes, investigando junto ao pediatra não encontram qualquer alteração orgânica que possa explicar aquele sintoma.

Com o passar do tempo, o cansaço, sofrimento e angústias vão se tornando muito grandes e vão afetando todas as relações familiares. É nesse momento que a terapia conjunta a pais e bebês pode ser muito importante.

Procurar por ajuda na hora certa faz toda a diferença para viver os primeiros anos com seu bebê de maneira mais leve, inteira e prazerosa. Ainda assim, pode ser muito difícil para uma mãe recém-nascida procurar por ajuda profissional em um momento em que se vê tão sensível – e geralmente tão cobrada a acertar tudo com seu bebê.

Você com certeza já ouviu o mito de que a mãe que ganha o bebê já sabe cuidar dele naturalmente? Que jamais se cansa ou perde a paciência? Todos nós já escutamos um comentário que coloca sobre a mãe a responsabilidade por todos os cuidados das crianças e a culpabiliza por tudo o que acontecer na educação e cuidado do pequeno. Como o verso de Priscila Obaci em seu livro “Poesias do pós-parto”: “Nasce a mãe floresce a culpa, frutos dos olhos alheios vestidos de lupa.”

NÃO, os pais não precisam saber de tudo quando o bebê nasce!

Esse pensamento é irreal e também opressor, pois apaga a beleza do caminho possível que é construído na experiência com seu bebê.

SIM as mães e pais recém-nascidos podem procurar por ajuda, e isso não é sinal de fraqueza!

Lembre-se, você não precisa dar conta de tudo sozinha(o)!

Procurar ajuda no momento certo é importante para que possa ser possível identificar situações que comprometam o desenvolvimento saudável da criança e que estejam causando sofrimento na família.

Do ponto de vista da criança..

Os primeiros três anos de vida são fundamentais para seu desenvolvimento saudável. As experiências de brincar, conversar, interagir, ser cuidada, alimentada, embalada, banhada, trocada são muito importantes nessa fase e constituem o alicerce físico e mental de toda sua vida.

Do ponto de vista do adulto..

Quantas transformações o bebê não convida todos os dias a experimentar, não é?

Um mergulho que traz muito amadurecimento e conhecimento de si. Com isso, quero apontar para a importância da família poder cuidar de si e dessas relações que estão se co-construindo e se transformando com a chegada do bebê.

Como funciona o atendimento terapêutico conjunto a pais e bebês?

O atendimento terapêutico conjunto a pais e bebês pode ser um dos locais para fortalecer a família quando as experiências ficam muito sensíveis e dolorosas. Juntos, terapeuta, pais e bebê vão construindo novas possibilidades e cuidando das dores que motivaram a busca por ajuda, até que o sintoma desapareça.

O atendimento terapêutico acontece em um ciclo de cinco sessões, sendo que a cada sessão é reavaliado junto com a família a necessidade de agendar uma nova sessão.

Em meu consultório, atender as famílias e suas crianças me convida todos os dias a aguçar minha sensibilidade de escutar por trás das palavras: gesto, olhar, corpo, ritmo…. choro também. Tudo isso é comunicação e faz parte da narrativa da família!

Também a compreender a potência do cuidado nessa fase do ciclo de vida, acompanhando pais e mães em suas construções de parentalidade!

Para mim é um privilégio poder acompanhar os primeiros “entrelaços” dessas histórias, que tem muitos ingredientes além de amor e dedicação: também dúvidas, cansaço, angústias e tantas outras coisas. E ajudar, assim, mães e pais a construírem relações mais prazerosas e leves com seu bebê no ambiente familiar.

Como terapeuta de família e estudiosa da perinatalidade, tenho o compromisso com cada família em oferecer o cuidado e escuta com técnica e ética: sabendo o lugar de saber que ocupo mas com a consciência de que a cada novo encontro aprenderei muito.

Se você sentir necessidade de apoio diante de situações muito desafiadoras, ou se as mudanças de comportamento ganharem intensidade, peça ajuda, compartilhe com outras pessoas e considere procurar por ajuda especializada.

Sobretudo nesse período de pandemia e isolamento social, pode ocorrer o agravamento das experiências de sofrimento. Lembre-se de que você não precisa passar por isso sozinho.

Conte comigo!

Com carinho,

Terapeuta Ana Payés